“A conta chega no natal e ano novo” / Conflitos emocionais esquecidos “aparecem” no final do ano

Para alguns dezembro é um mês de muitas festas, de reencontro com amigos e familiares, de renovação de objetivos e metas. Para outros, essa data representa frustração por desejos e projetos não realizados, tristeza pela distância ou pelo falecimento de pessoas queridas, ansiedade por desentendimentos com amigos e familiares. O Natal e o Ano Novo podem trazer muitas expectativas “positivas” ou “negativas”. O significado e o sentimento (bom ou ruim) virão dos pensamentos que a pessoa terá durante esse período, e também do planejamento de como ela passará esses dias.

Muitas vezes a pessoa passa o ano inteiro evitando pensar nos conflitos familiares, nos problemas profissionais e financeiros, na dificuldade de aceitar o término de um relacionamento ou a morte de um parente. Ela não encara a situação e não se “dá o tempo” para superar as feridas emocionais. Ela apenas toca a vida de forma “automática”, segue trabalhando, cuidando dos filhos, indo a eventos sociais, ignorando aquilo que a incomoda. Ela vai colocando debaixo do tapete todas as suas emoções e angústias. Chega uma hora que esse tapete não consegue mais esconder os problemas, então as emoções transbordam. Para alguns transborda próximo do natal e do ano novo e os sintomas aparecem: ansiedade, pânico, medos, choro, desânimo, tristeza,… Os motivos desse acúmulo podem ser variados. Por exemplo:

  • Pessoas desempregadas, com dívidas, ou com o dinheiro “curto” podem ficar tensas e tristes porque não conseguem dar presentes ou fazer viagens que costumavam fazer antes. Mas é necessário perceber, é possível sim comemorar sem gastar, fazendo coisas simples, reunindo aqueles que se ama.
  • Brigas familiares se intensificam quando a pergunta surge “com quem vamos passar o natal?”. A dificuldade na comunicação é comum, e se intensifica nessa época. Alguns casais se desentendem por não chegarem a um acordo se passarão com o pai e a mãe de um ou de outro. Pais divorciados se alteram e disputam os filhos nessas datas. Isso tudo é complicado. É importante avaliar os próprios desejos e estabelecer limites, mas também é essencial perceber os sentimentos dos outros e das pessoas que estão envolvidas (ter a empatia). Uma saída é combinar o Natal com uma família e o ano Ano Novo com a outra família, revezando nos anos seguintes. Também é uma opção “dividir” o tempo, passando algumas horas com uma e algumas outras horas com a outra.
  • A dificuldade de lidar com as mágoas ou de se relacionar com os outros pode gerar (ou provavelmente aumentar) a sensação de solidão nessa época. É interessante a pessoa perceber se afastou familiares e amigos bacanas. Ou se é insegura e tímida a ponto de se isolar. O sofrimento pode ser um impulso para ela resgatar relações saudáveis ou começar novas relações participando de cursos e grupos que tenham “a ver com ela”, ajudando a construir novas amizades e talvez uma família.     
  • A não aceitação do falecimento de alguém querido gera muito sofrimento, que pode aumentar ainda mais no final de ano. A pessoa precisará reaprender a viver depois de uma perda. As coisas não voltarão a ser como eram antes. Uma forma de superar o luto é cultivar as lembranças dos bons momentos. A pessoa falecida permanecerá “viva” na memória de quem a ama. Também é fundamental permitir que os amigos e familiares dêem ajuda e suporte emocional para enfrentar essa perda. Dar espaço para os outros ajudarem. Criar oportunidades de boas relações e boa companhia. Isso ajudará no processo de luto.

Encarar e superar as dores emocionais não significa remoer o sofrimento, pelo contrário, quer dizer que irá procurar cicatrizar a feridas emocionais e vencer os obstáculos.

Dicas

  • Dê um significado maior para o “agora”. Tudo depende dos olhos de quem vê. Você é quem vai direcionar o seu olhar para o que tem de bom no agora. O que tem prestado mais atenção? Que sentimentos têm cultivado ultimamente?
  • É importante dar valor para aquilo que você está batalhando e aquilo que já conquistou. E não se esqueça de valorizar o que já conseguiu realizar. Deve reconhecer e sentir vitorioso por seu próprio esforço.
  • Os desejos são para trazer energia e motivação, e não se tornarem angústias.

Normalmente as pessoas com essas dificuldades emocionais citadas acima deixam de aproveitar e até mesmo identificar quais os bons momentos que tiveram durante o ano. Conflitos psicológicos podem fazer com que a pessoa queira evitar as comemorações de final de ano, e nesse caso é muito provável que o conflito não tenha “nada a ver” com o natal ou ano novo, a pessoa já estava com dificuldades e esse “mal estar” acabou se intensificando por toda a simbologia que o Natal e Ano Novo representam.

Idealizar o Natal e o Ano novo leva a frustração. Não existem pessoas e famílias perfeitas. Nem todos estão alegres nessa época do ano, a felicidade não é obrigatória.  É natural que não saia tudo como planejou, ou que não seja o momento mais feliz do seu ano. Apenas tem que tentar relaxar e aproveitar o momento da melhor forma possível. Quando fica difícil de perceber a angústia ou enfrentar as feridas emocionais no dia a dia, é indicado buscar um psicólogo.

 

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