Como tornar o sexo um prazer e não uma obrigação / apetite sexual dos casais

O tabu e as expectativas sobre o sexo atrapalham. A nossa sociedade cria muitos estereótipos sobre como seria o “sexo bom”, limitando a liberdade das pessoas na busca da própria satisfação sexual.  É dessa pressão que  costuma surgir “o sexo ruim” ou o “sexo como obrigação”.

Cada pessoa tem o seu apetite sexual. Segundo uma pesquisa do instituto de Psiquiatria do Hospital de Clínica da USP, a média de relação sexual dos casais brasileiros é 3 vezes na semana, mas não é uma regra. Não se mede a satisfação e a união de um casal através do número de vezes que fazem sexo, isso é um mito.

A relação sexual precisa ser vista sem pressão, como algo natural e que pode ser prazerosa. Cada um terá o seu jeito para encontrar o seu prazer. O interesse sexual será conforme a personalidade, história, crenças (o que o sexo significa para a pessoa) e o momento de vida que está passando. Ocorrem mudanças constantes nas vidas das pessoas (por exemplo: nascimento de um filho, estresse, excesso de trabalho, doença, mudanças hormonais devido a idade, …).

Alguns têm dificuldade para falar sobre os seus desejos e suas inseguranças. O medo do julgamento, a vergonha ou a falta de hábito de falar sobre sexualidade toma conta e costuma silenciar os desejos sexuais da pessoa. Alguns não conhecem o próprio corpo, não se sentem a vontade para falar sobre a sua sexualidade, sobre aquilo que os excita ou é “broxante”. Dessa forma o casal deixa de dizer sobre seus desejos, e nesse momento o sexo pode se tornar desagradável e dispensável, virando mais uma obrigação do que satisfação. 

Normalmente a pessoa insegura acredita que não podem dizer “não” ao pedido de sexo do companheiro, porque, por exemplo:

*O companheiro deixará de amá-la e procurará outra pessoa para ter relação sexual.

*Alguns homens insistem para o sexo, e quando a esposa diz “não”, eles se sentem rejeitados. Podem ficar inseguros e até mesmo com ciúmes, imaginando que a mulher não se interessa por ele, que ela está interessada por outras pessoas.

*Mulheres podem sentir pressionadas quando o marido insiste para a relação sexual, e quando cedem aos pedidos, sentem-se usadas . Ficam magoadas e com raiva do esposo.(obs: sexo sob ameaça ou sexo sem consentimento é estupro)

Essas situações citadas frequentemente geram muitas brigas sem que os dois percebam que a causa principal desses desentendimentos não é o sexo, mas sim a pressão e insegurança que acompanha a questão sexual. As ofensas acontecem pela insegurança (do parceiro não querer a relação sexual) ou pela mágoa (da pessoa fazer sexo sem vontade). A ansiedade de ambos aumenta.

A sensação de que o sexo é uma obrigação pode desgastar o relacionamento. Por esse motivo é importante o casal falar sobre as suas inseguranças, acalmar e acolher as emoções do companheiro, encontrando “uma medida” dentro do apetite sexual dos dois, buscando redescobrirem novas formas de prazer (não só no ato sexual, mas na conexão do casal. Por exemplo: troca de carinho, companheirismo, passeios, … ).

A obrigação de “cumprir” o papel do marido ou da mulher é pesado. Não é interessante priorizarem o prazer de um ou de outro, mas sim buscarem o prazer juntos, que funcione para os dois. É preciso encontrar o equilíbrio na vida sexual, respeitando e chegando num combinado para ambos sentirem prazer no sexo.

É interessante entenderem os sentimentos, o que a relação sexual significa para cada um, aumentando a intimidade. Isso facilita a pessoa se sentir mais a vontade e segura com o seu corpo e também para falar sobre seus interesses sexuais. Dessa forma o casal pode descobrir novas formas de estimular a sexualidade.  

É indicado o acompanhamento com o psicólogo caso persista a dificuldade na questão sexual.

 

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